Pneumonia Enzoótica (provocada por Mycoplasma hyopneumoniae)

  • As doenças respiratórias são um sério e grave problema8 na actual indústria de suinicultura.
  • Afectam o estado de saúde dos suínos e podem causar perdas económicas significativas na indústria da suinicultura4.
  • As principais vias de transmissão do M. hyopneumoniae, a bactéria que provoca a pneumonia enzoótica (PE), são a via aerossol e o contacto directo.

 

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Sintomas da Pneumonia Enzoótica

Imagem ilustrativa da tosse/dificuldade respiratória nos porcos

  

  • A tosse é o sinal clínico mais consistente associado à pneumonia enzoótica (PE), podendo ser acompanhada ou não de febre.
  • Os porcos perdem apetite e apresentam um aspecto subdesenvolvido; a tosse começa geralmente uma a duas semanas após a infecção.
  • Alguns porcos não mostram qualquer sintomatologia, uma vez que muitas infecções têm um perfil subclínico.
  • A Pneumonia enzoótica é também diagnosticada post-mortem (nos matadouros) por avaliação das lesões pulmonares.

 

Imagem de pulmões post mortem com lesões típicas associadas a PE

 

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Como ocorre a Infecção?

  • A Mycoplasma hyopneumoniae é transmitida da porca para o leitão, principalmente por contacto directo entre focinhos na maternidade1.
  • Marrãs e porcas mais jovens são mais susceptíveis de transmitir mycoplasma para os seus leitões, ao contrário de porcas mais velhas2.
  • As porcas mais velhas têm menos probabilidade de transmitirem mycoplasma aos seus leitões, no entanto também podem propagar esta bactéria2. A prevalência de PE é particularmente elevada nos animais em crescimento e na fase de acabamento.

  

Um leitão não vacinado infecta em média 3,51 co-habitantes 3

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Consequências Financeiras e na Produtividade

A pneumonia enzoótica nas explorações de suinicultura tem um grande impacto económico.

  • Prejuízos directos associados com aumento da mortalidade e dos custos com medicamentos e com decréscimo do desempenho do animal devido à diminuição da eficiência da alimentação1.
  • As perdas financeiras podem ser de até 6,77€ p/porco4
  • A Vacinação ajuda a reduzir o impacto das perdas reduzindo a excreção5, a transmissão3 e a perda financeira6

 

Vacinação
 

 

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Como diagnosticar a Pneumonia Enzoótica

Podem existir suspeitas de PE numa exploração de suinicultura e ser feito um diagnóstico presuntivo com base nos sinais clínicos. No entanto, tendo em conta que muitas infecções têm um perfil subclínico e facto dos animais não exibirem qualquer sintoma, são necessárias outras formas de diagnóstico1.

O diagnóstico da PE é possível através da avaliação dos pulmões post mortem ou no momento do abate, combinado com possível histologia. Nalguns casos, pode ser necessário um dos seguintes testes adicionais:

  • Isolamento do agente patogénico
  • PCR - confirmar a presença do agente patogénico nas vias respiratórias
  • ELISA - detecção de anticorpos

 

 

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Prevenção e Controlo da Pneumonia Enzoótica

Lidar com a presença de pneumonia enzoótica numa exploração geralmente envolve uma variedade de abordagens, desde a melhoria das condições da estabulação, às práticas de maneio dos animais ou ao uso de vacinas ou antimicrobianos. As práticas de maneio devem ser focados em minimizar o risco de transmissão entre porcos, garantindo ao mesmo tempo um ambiente ideal para os animais.

Práticas de maneio e condições de estabulação estão relacionadas com a prevenção da pneumonia enzoótica nas explorações6 (adaptado de Maes et al., 2008).

 

Sistema de produção

 

 

Tudo dentro/Tudo fora “All-in, all-out”

 

O desmame precoce (quando permitido)

 

Separação de partos

Compra de animais

 

 

Explorações de núcleo genético fechado

 

Taxas de substituição baixas

 

 

Densidade animal

 
 

Baixa

Prevenção de outras doenças

 
 

Ascaris suum

 

PRRSV

 

PCV2

 

SIV

 

Outros agentes patogénicos envolvidos na PRDC

Medidas de biossegurança

 
 

Controlo de insectos e roedores

 

Acesso restrito aos equipamentos e circulação de pessoal

Condições de estabulação

 
 

Temperatura

 

Qualidade do ar

 

Ventilação

 

A vacinação é o método mais utilizado nos dias de hoje para controlar a pneumonia enzoótica nas explorações de suinicultura. O uso adequado da vacina contra o M. hyopneumoniae reduz o impacto económico da doença, melhorando o ganho de peso diário e o índice de conversão alimentar e reduzindo muitas vezes a taxa de mortalidade dos animais. Além disso, com a vacinação é igualmente perceptível tempos mais curtos para atingir o peso de abate, redução dos sinais clínicos e das lesões pulmonares e dos custos de tratamento6 (Maes et al 2008).

 

A vacinação precoce é importante para o controlo da pneumonia enzoótica. Idealmente, a vacina deve ser administrada antes do M. hyopneumoniae colonizar as vias respiratórias ou, pelo menos, antes que os porcos sejam infectados. Uma vez que o M. hyopneumoniae pode estar presentes nos leitões antes das três semanas de idade7 (Villarreal et al., 2010), a aplicação de uma estratégia de vacinação precoce é recomendada a fim de alcançar uma imunidade protectora neste período.

 

 

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Referências

1 Sibila M, Pieters M, Molitor T, Maes D, Haesebrouck F, Segalés J. 2009. Current perspectives on the diagnosis and epidemiology of Mycoplasma hyopneumoniae infection. Vet J.181:221-231.

2. Calsamiglia M, Pijoan C. 2000. Colonisation state and colostral immunity to Mycoplasma hyopneumoniae of different parity sows. Vet Rec. 146:530-532.

3 Meyns, T., Dewulf, J., de Kruif, A., Calus, D., Haesebrouck, F., & Maes, D. . Comparison of transmission of Mycoplasma hyopneumoniae in vaccinated and non-vaccinated populations. Vaccine 2006; 24: 7081-7086

4 Burch (2007). Cost of disease – Enzootic Pneumonia, Pig World, February, (http://www.octagon-services.co.uk/articles/EP.htm).

5. Kim D., Kim C.H., Han K. et al. Comparative efficacy of commercial Mycoplasma hyopneumoniae and porcine circo virus 2(PCV2) vaccines in pigs experimentally infected with M. hyopneumoniae and PCV2 Vaccine 2011;na: na

6 Maes D, Segales J, Meyns T, Sibila M, Pieters M, Haesebrouck F. Control of Mycoplasma hyopneumoniae infections in pigs. Vet Microbiol. 2008; 126: 297-309

7 Villarreal I, Vranckx K, Duchateau L, Pasmans F, Haesebrouck F, Jensen JC, Nanjiani IA, Maes D. 2010. Early Mycoplasma hyopneumoniae infections in European suckling pigs in herds with respiratory problems: detection rate and risk factors. Veterinarni Medicina, 55:318-324.

8.  Fablet C., Marois C. et al Bacterial pathogens associated with lung lesions in slaughter pigs from 125 herds Research in Veterinary Science 2012; 93: 627-630