A cetose é uma doença metabólica que ocorre devido a um balanço energético negativo.

A cetose é um problema que muitas vezes passa despercebido nas explorações leiteiras. Apesar dos sintomas clínicos não serem frequentemente percepcionados, ou, por vezes, nem sequer se manifestarem, a cetose “oculta” ou subclínica é um problema comum.

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Cetose oculta—um problema COMUM

A cetose é um problema que muitas vezes passa despercebido nas explorações leiteiras. Apesar dos sintomas clínicos não serem frequentemente percepcionados, ou, por vezes, nem sequer se manifestarem, a cetose “oculta ou subclínica é um problema comum

A cetose oculta pode afetar mais de 30% das vacas 1,2, com um amplo intervalo de variação entre as diferentes explorações.

Em 2011, a Elanco realizou uma auditoria para avaliar a presença de cetose em explorações no Reino Unido, Franca, Alemanha, Itália e Países Baixos. Foram analisadas 2.489 vacas de 74 explorações leiteiras2. Esta análise foi realizada com o teste do leite Keto-test.

Ainda que a percentagem de cetose clinica não tenha ultrapassado os 3%, a prevalência média de cetose oculta nas explorações foi de 29-58%2

Um estudo semelhante realizado em 2012 confirmou estes resultados iniciais (o intervalo de prevalência foi entre 32% e 54%).

Em 2013 foi realizada uma auditoria em explorações na Áustria, Polónia e República Checa, e o resultado foi uma prevalência média de 32-53%17 nas explorações testadas.

Estes resultados foram comparados com outros estudos existentes e confirmam que a cetose é um problema comum nas explorações da Europa.

A cetose, o desafio do GAP energético

Durante o início do pós-parto, as necessidades energéticas para produzir grandes quantidades de leite são superiores à energia que a vaca é capaz de ingerir, o que dá origem a umgap energético ou balanco energético negativo (figura 118).

 

Figura 1

 

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Cetose oculta - as CONSEQUÊNCIAS  

A cetose oculta no início da lactação prejudica a saúde da vaca, o seu rendimento reprodutivo futuro e a sua produção de leite.



 


 

As vacas afectadas apresentam taxas de conceção4 significativamente inferiores, intervalos entre partos mais longos4 e menor produção leiteira5. Alem disso, o risco de sofrer uma cetose clinica aumenta, assim como também o risco de outras patologias com um elevado impacto económico (figura 2).

As vacas em risco de desenvolver cetose oculta têm mais probabilidade de apresentarem deslocamento do abomaso6, retenção de placenta7, metrite6 e quistos ováricos8 e, por consequência, um maior risco de serem refugadas9. Por outro lado, a cetose oculta compromete o sistema imunitário das vacas.10

 

Figura 2

Referência: PTDRYKT00006

 

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Cetose oculta - DISPENDIOSA

É possível que a cetose oculta não seja visível, mas isso não significa que não seja dispendiosa.

A cetose oculta no início da lactação é prejudicial para a saúde da vaca, para a produção de leite e para o rendimento reprodutivo futuro. A cetose oculta aumenta o número de vacas com patologia, os intervalos entre partos e a taxa de refugo e diminui a produção de leite (fi gura 3).

O aumento do risco de patologias adicionais traduz-se num acréscimo de custos de tratamento e num decréscimo do rendimento do leite, assim como em mais transtornos e stress. Também pode influenciar negativamente a sanidade da exploração.

 
 
A cetose pode trazer custos até 600€ por vaca afetada.“11

 

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Referências

1Macrae y col. 2012. Prevalence of clinical and subclinical ketosis in UK dairy herds 2006-2011. Congreso Mundial de Buiatria, Lisboa, Portugal.
2Auditoria en granja de Elanco, 2011, n.o GN4FR110006. Datos archivados.
3 1.000 μmol BHBA/l en sangre: i) Macrae y col. 2006. Vet. Rec. 159:655-661; ii) Ospina y col. 2010, J. Dairy Sci. 93:546-554.
1.200 μmol BHBA/l en sangre: i) Geishauser y col. 1998. J. Dairy Sci. 81:438-443; ii) Leslie y col. 2000. The influence of negative energy balance on udder
health. National Mastitis Council, Regional Meeting Proceedings, p. 25-33.
1.400 μmol BHBA/l en sangre: i) Leslie y col. 2000. The influence of negative energy balance on udder health. National Mastitis Council, Regional Meeting
Proceedings, p 25-33; ii) Carrier y col. 2004. J. Dairy Sci. 87:3725-3735.
4Walsh 2007. The effect of subclinical ketosis in early lactation on reproductive performance of postpartum dairy cows. J. Dairy Sci. 90:2788-2796.
5Ospina 2010. Association between the proportion of sampled transition cows with increased nonesterified fatty acids and
s-hydroxybutyrate and disease incidence, pregnancy rate and milk production at the herd level. J. Dairy Sci. 93:3595-3601.
6Duffield 2009. Impact of hyperketonemia in early lactation dairy cows on health and production. J. Dairy Sci. 92:571-580.
7Leblanc 2004. Peripartum serum vitamin E, retinol and beta-carotene in dairy cattle and their associations with disease.
J. Dairy Sci. 87:609-619.
8Dohoo 1984. Subclinical ketosis prevalence and associations with production and disease. Can. J. Comp. Med. 48:1-5.
9Leblanc 2010. Monitoring metabolic health of dairy cattle in the transition period. J. Repro. Dev. 56:S29-S35.
10 Grinberg, Elazar, Rosenshine, Shpigel 2008. s-Hydroxybutyrate Abrogates Formation of Bovine Neutrophil Extracellular Traps and Bactericidal Activity against
Mammary Pathogenic Escherichia coli. Infec. and Immun. 76:2802-2807.
11Adaptacion de Esslemont 2012. The Costs of Ketosis in Dairy Cows, Congreso Mundial de Buiatria, Lisboa, Portugal, 2012.
12Whitaker, Macrae, Burrough 2004. Disposal and disease rates in British dairy herds between April 1998 and March 2002. Vet. Rec. 155:43-47.
13Duffield 2004. Monitoring strategies for metabolic disease in transition dairy cows. Proceedings of the WBC Congress, Quebec, Canada.
14Oetzel 2003. Herd-based biological testing for metabolic disorders: Adv. Dairy Tech. 15:275-285.
15Oetzel 2004. Monitoring and testing dairy herds for metabolic disease. Vet. Clin. Food. Anim. 20:651-674.
16Duffield 2007. Peripartum Metabolic Monitoring. Actas de la AABP Vol. 40, sept. de 2007.
17Radostits. Herd Health: Food Animal Production Medicine, tabla 6.5.
18 Heringstad, Chang, Gianola, Klemetsdal 2005. Genetic analysis of clinical mastitis, milk fever, ketosis and retained placenta in three lactations of NorwegianRed cows. J. Dairy Sci. 88:3273-3281.
19Rajala-Schultz, Grahn, McCulloch 1999. Effect of milk fever, ketosis and lameness on milk yield of dairy cows. J. Dairy Sci. 82:288-294.
20 Gillund, Reksen, Grahn, Karlberg 2001. Body condition related to ketosis and reproductive performance in Norwegian dairy cows.
J. Dairy Sci. 84:1390-1396.
21Duffield 2000. Subclinical ketosis in lactating dairy cattle. Vet. Clin. North Am. Food Anim. Pract. 16:231-253.
22Roche 2009. Articulo de autor invitado: Body condition score and its association with dairy cow productivity, health and welfare. J. Dairy Sci. 92:5769-5801.
23 Santschi y col. 2011. Incidence of metabolic disorders and reproductive performance following a short (35d) or conventional (60d) dry period
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24Fricke 2001. Articulo: Twinning in Dairy Cattle. Prof. Anim. Sci. 17:61-67.
25 Mulligan, O’Grady, Rice, Doherty 2006. A herd health approach to dairy cow nutrition and production diseases of the transition cow. Anim. Repr. Sci. 96:331-353.
26 Krogh 2011. Latent class evaluation of a milk test, a urine test, and the fat-to-protein percentage ratio in milk to diagnose ketosis in dairy cows.
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27 Dam y col. 1988. The effect of age at calving on reproduction, milk production and disease incidence in the first lactation of dairy heifers.
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