A coccidiose nos ruminantes

 

A coccidiose é uma doença parasitária do trato intestinal causada, nos ruminantes, por protozoários do género Eimeria. Afecta um grande número de animais, de várias espécies diferentes. Os animais jovens tendem a ser mais predispostos4.

A Coccidia ocorre na maioria dos hospedeiros, mas normalmente causa apenas lesões leves. A expressão clínica da doença não implica necessariamente infecção. Como regra geral, os indivíduos com uma carga elevada de infecção ou baixos níveis de resistência irão exibir sinais clínicos. É fundamental diagnosticar a coccidiose correctamente para evitar a confusão com outras causas de diarreia, como a criptosporidiose, infecção por rotavírus ou coronavírus, colibacilose, salmonelose, e também gastroenterite devida a outros agentes.3

As espécies de Eimeria são estritamente monóxenos (restrito a uma única espécie de hospedeiro), p.e. afectam exclusivamente tanto borregos, como bezerros ou cabritos. A infestação inicia-se com a ingestão de alimentos ou água contaminados com oocistos esporulados. Depois de uma fase de multiplicação no intestino, os protozoários penetram nas células epiteliais da parede do intestino, onde se multiplicam ainda mais. Estas células explodem, liberando oocistos nas fezes e depois para o mundo exterior. Os Oocistos podem sobreviver durante mais de um ano, em forma esporulada ou não esporulados,a temperaturas entre -30 ° C e 40 ° C5.

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Sinais Clínicos

 

Os sinais clínicos ocorrem principalmente em animais jovens, geralmente a partir das 3 semanas até aos 6 meses de idade1,2, mas já foram observados casos em animais com mais de um ano de idade. A Coccidiose costuma acompanhar situações de stress, como o transporte, superlotação, mudanças nos regimes alimentares, condições climáticas desfavoráveis ​​e infecções concomitantes por parvovirus. A diarreia ocorre como resultado da destruição das células que revestem o intestino delgado, ceco e cólon6. Em alguns casos extremos de coccidiose, os animais exibem sinais neurológicos simultâneos, tais como tremores, opistotonus e convulsões.

 

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Como ocorre a infecção?

 

Regra geral, os animais adultos não são responsáveis ​​pela contaminação massiva do seu ambiente, embora possam ser a fonte inicial de oocistos infecciosos. Em muitos casos, a contaminação vem de jovens vitelos, borregos ou cabritos que, depois de contrair a infecção inicial, muitas vezes, nos primeiros dias de vida, podem excretar milhões de oocistos no seu ambiente. No pico do seu crescimento, três semanas mais tarde7,estes animais poderão estar re-expostos a níveis letais de oocistos infecciosos, quando a resistência derivada do consumo de colostro natural está mais baixa. Os animais nascidos mais tarde no mesmo ambiente são imediatamente expostas a níveis muito elevados de oocistos. Se as condições de higiene forem más e a exploração estiver excessivamente lotada, os bezerros jovens, borregos ou cabritos são expostos a uma carga significativa de infecção e podem ingerir grandes quantidades desses oocistos. Correm o risco de a doença ser grave ou mesmo fatal. Em níveis de lotação razoáveis ​​e em condições de higiene satisfatórias, a dose infecciosa ingerida é muito menor. Os animais podem nestes casos apresentar sinais clínicos de intensidade ligeira a moderada, ou mesmo permanecer assintomáticos, ao serem capazes de desenvolver uma imunidade protectora contra a reinfecção. Contudo, o número de organismos conseguiu multiplicar-se em um milhão de vezes no interior do animal.

 

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Impacto real

 

Os casos de coccidiose subclínica são muito mais comuns do que os casos clínicos e representam a maior parte das perdas económicas relacionadas com esta doença.
As formas subclínicas passam despercebidas, ou são acompanhadas por alguns sintomas não-específicos, como perda de peso, crescimento lento e mau estado geral.

Essas perdas representam mais de 60% das perdas totais relacionados com a coccidiose8.
Para além do impacto directamente relacionado com o dano do trato intestinal, as maiores perdas económicas devem-se ao atraso de crescimento que persiste durante toda a vida do animal.

 

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Diagnóstico

 

Se houver suspeita de coccidiose, é importante conhecer a história da exploração. A análise histológica pode ser útil para identificar os tipos de lesões teciduais e sua localização, bem como as espécies de parasitas envolvidos. O diagnóstico deve, portanto, ter em conta múltiplos factores clínicos e epidemiológicos, e ser confirmado por exames laboratoriais.

O exame de fezes é o teste mais utilizado presentemente.

A contagem de oocistos fecais (oocistos por grama ou OPG) pode ajudar a estabelecer um diagnóstico, mas é importante identificar as espécies de Eimeria envolvidas, uma vez que nem todas as espécies são patogénicas. Deve-se ressaltar que o exame de fezes pode indicar níveis muito elevados de oocistos fecais em animais saudáveis, especialmente em jovens ruminantes. Por outro lado, os níveis baixos ou mesmo uma completa ausência de oocistos pode ser encontrado no exame de fezes de animais doentes ou moribundos. Assim, deve se tomado em consideração durante o exame fecal: um animal saudável pode excretar grande número de oocistos; nem todas as espécies de coccídeos são patogénicas; sinais clínicos podem aparecer antes da excreção de oocistos; excreção de oocistos pode ser transitória.

As espécies patogénicas em ruminantes são:

  • Bovinos: Eimeria bovis, Eimeria zuernii e Eimeria alabamensis
  • Ovinos: Eimeria ovinoidalis and Eimeria crandallis
  • Caprinos: Eimeria ninakohlyakimovae

 

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Prevenção e Controlo

 

O principal objectivo é  evitar os efeitos adversos da doença, permitindo o contacto prolongado com o protozoário, a fim de estabelecer a imunidade duradoura.

 

Maneio de Instalações e Higiene

 

A incidência de coccidiose pode ser reduzida com a tomada de medidas simples tais como:
 

  • Fornecendo camas secas e limpas

  • Evitando superlotação e stress

  • Outras medidas, tais como: alojar os animais de acordo com sua própria faixa etária; evitar áreas que já têm altas taxas de infecção parasitária (celeiro, pasto) e ajustar regimes de alimentação para ajudar a minimizar os riscos.

A gestão da higiene desempenha um papel crucial no controlo da coccidiose. Os bebedouros e áreas adjacentes devem ser mantidos limpos para evitar a contaminação fecal. Também é fortemente recomendado que as instalações sejam cuidadosamente limpas (em temperaturas muito altas) entre cada lote, e, desinfectados com um produto oocidal se necessário.

Certifique-se, se possível, que os animais jovens foram tirados para o pasto fresco.

 

Tratamento preventivo

 

Se o historial da exploração indicar a idade em que ocorre a coccidiose, o tratamento metafilático pode ser administrado uma semana antes da altura em que os sinais geralmente aparecem. Isto faz com que seja possível evitar a disseminação em massa de oocistos para o ambiente.

Uma vez que o período de incubação médio é de cerca de 20 dias, o tratamento deve ser administrado pelo menos quinze dias após um evento stressante ou exposição maciça ao parasita9.

 

Consulte o seu Veterinário.

 

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(1)Jäger M., Gauly M., Bauer C., Failing K., Erhardt G., Zahner H.
Endoparasites  of  beef  cattle  herds:  management  systems  dependent  and  genetic influences. Vet. Parasitol. 2005, 131, 173-191.

(2)Sánchez RO, Romero JR, Founroge RD.
Dynamics of Eimeria oocyst excretion in dairy calves in the Province of Buenos Aires (Argentina), during their first 2 months of age. Vet. Parasitol. 2008 Feb 14;151(2-4):133-8.

(3)The Merck Veterinary Manual. Coccidiosis of Cattle. 2012

(4) Taylor,  M. A., and  J.  Catchpole,  1994: Coccidiosis of domestic ruminants. Appl. Parasitol.  35, 73-86.

(5) Svensson, C.,  I997:  The  survival  and   transmission   of  oocysts  of
Eimeria  a/abamensis  in hay. Vet. Parasitol.  69, 211-218.

(6)Mundt H.C., Bangoura B., Rinke M., Rosenbruch M. Daugschies A.
Pathology and treatment of Eimeria zuernii coccidiosis in calves: investigations in an infection model. Parasitol. Internat. 2005, 54, 223-230.

(7) Daugchies A, Najdrowski M. Eimeriosis in cattle: Current understanding.J. Vet. Med 2005; B52: 417-427

(8)Agneessens et al. Efficacy of diclazuril against naturally acquired Eimeria infections in suckling calves and economic benefits of treatment Veterinary Association _ Cattle Practise 2005;13:231-234.

(9)Taylor M.A., R.N. Marshall, J.A. Marshall, J. Catchpole, D. Bartram. Dose response effects of diclazuril against pathogenic species of ovine coccidian and the development of protective immunity. Vet Parasitol. 2011 (178), 48-57.